Largo da Matriz Cabo Frio

Ao chegar a Cabo Frio, em 1616, Estevão Gomes dirigiu-se á fortaleza de Santo Inácio para assumir o comando e passar a tropa em revista.

Provavelmente, dirigiu-se, para o local onde pretendia dar início a cidade de Nossa Senhora de Assunção de Cabo frio, como está designada na primeira carta de sesma-ria a Generosa Salgado, no ano de 1616.

A localização do sítio da nova povoação portuguesa no Bairro da Passagem está apontada na petição da segunda sesmaria solicitada pelo colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, em 1617.

O padre reitor justifica o pedido de terras, pela urgência que o rei de Portugal tem nesta povoação. Pedem que o limite da sesmaria seja considerado a partir do “esteiro defronte da camboa que está defronte a cidade”.

O único “esteiro” existente no Itajuru, localizava-se na primeira seção.

A “Camboa” ou “Apicu, cujo significado em tupi é local arenoso e baixo, coberto pelas

águas das marés, é identificado na “Planta da Cidade de Cabo frio” desenhada em 1778 e que se encontra na mapoteca do Serviço Geográfico do

Exército, como a ponta na margem continental onde hoje está localizada o Hotel Porto Veleiro.

No mapa “Terra de Cabo Frio” (anônimo,1625), perto do antigo porto do século XVI, lê-se a palavra “pouasam”, isto é povoação.

 O sitio da cidade está situado em frente á segunda enseada dos terrenos continentais, contada a partir da boca da barra da lagoa, o que significa estar “defronte da camboa” onde se localizam as salinas peroanas, em frente ao bairro da Passagem.

Com o deslocamento do centro urbano de Cabo frio, para a atual praça Porto Rocha em cerca de 1660, no bairro da Passagem provavelmente, passaram a habitar os pes-cadores interessados na pesca oceânica, em função da proximidade do porto na boca da barra.

O Largo da Passagem estendia-se da atual rua Manoel Antonio Ribeiro até a igreja de São Benedito, construída em 1761. 

Na Passagem havia a festa de São Benedito e de Nossa Senhora dos Navegantes, a festa de São Benedito era organizada pela comunidade negra do bairro e a de Nossa Senhora dos Navegantes pelos marítimos que trabalhavam no porto do bairro trans-portando em enormes navios de sal e cal para o Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina entre outros portos.

Ali no Largo os negros dançavam jongo, capoeira e bangu lê danças trazidas pelos negros africanos que aqui chegaram em navios negrei-ros para trabalhar na retirada do pau Brasil.

A partir de 1660 cria-se o novo centro urbano de Cabo Frio, nele traça-se a praça (atual Porto Rocha) e constrói-se o prédio da Câmara. O poder religioso acompanha este deslocamento e em 1666 é criada pelo vigário Bento de Figueiredo a igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção. No altar mor foi colocada a imagem da padroeira de Cabo Frio que foi encomendada a Lisboa nos princípios da ereção e fundação da igre-ja e que sem dúvida foi a devoção dos primeiros habitantes da cidade. Consta que esta imagem é uma das mais antigas do Brasil. 

A direita de quem entra na igreja Matriz, há uma capela, erguida em 1731, onde a imagem da Virgem Aparecida, que foi encontrada entre uns penedos no mar de Arraial do Cabo pelo pescador Domingos André Ribeiro, no ano de 1721.

Alguns anos após o erguimento da capela, a câmara comunica ao Rei a falta de parâmetros exigidos pelo ritual romano, como também de retábulo e trono para exposição do Santíssimo Sacramento. Em 27 de Abril de 1738, D. João V, mandou os quatros parâmetros por intermédio do provedor da fazenda, determinando a este que fizesse um orçamento para o resto, que incluía ainda os sinos.

Depois da deliberação do Conselho Ultramarino, tomada em sessão de 27 de Junho de 1746, no dia 4 de Agosto foi expedida a ordem Régia ao governador do Rio de janeiro, para que deferisse o pedido da comunidade. Nos livros de óbitos do século XIX, constam vários enterros nas covas da irmandade de Nossa Senhora da Concei-ção Aparecida, que se localizava na igreja Matriz. Estes sepultamentos se efetuaram até o momento em que foi proibido tal feito no interior dos templos, durante o século XIX.

Cabo Frio viveu um período em que era agravante o estado de abandono de crianças, frutos de relações entre brancos x escravos e índias.

Em 21 de Julho de 1834 foi criada uma comissão provisória, que deu origem a Ir-mandade de Santa Isabel.

Um ano depois, o major Bellegard, apresenta a planta do projeto do edifício “Casa da Caridade” que seria construída com um orçamento de dois contos de réis e comple-mentando, com contribuições voluntárias dos habitantes. Lançada a pedra fundamen-tal em 27 de Julho de 1836, as obras iniciaram-se em 1837, mas por falta de recursos, foram interrompidas no ano seguinte. Para obter recursos, o major Bellegard criou a Irmandade de Misericórdia, em 1838, e junto com mais 26 pessoas confere o título de protetor da Irmandade do Imperador D. Pedro II.

Com auxílio da Assembléia Provincial da Câmara Municipal e mais 4 contos de réis, as obras reiniciaram em 1839 e foi inaugurada a Charitas em 16 de Fevereiro de 1840.

A razão de ser a casa da caridade era acolher as crianças abandonadas na calada da noite.

Foi popularmente denominada de “Casa da Roda”, devido a existência de uma roda na porta da entrada onde era colocada a criança e por onde a “dona” da Charitas, a matrona, retirava esta criança, sem sair do interior da casa, usando este mecanismo que ao rodar fazia a criança entrar. Em virtude das inúmeras epidemias que assolaram a cidade do século XIX, a Charitas passou a funcionar também como hospital.

Entre 1938 e 1942 o asilo deixou de funcionar por falta de verbas. Na segunda guerra mundial, foi abrigo do primeiro grupo de artilharia de Dorso, sediado em Cabo Frio.

O Charitas foi usado também como fórum, escola e biblioteca. Em 1982 a Prefeitura reforma o prédio onde passa a funcionar como biblioteca e Museu Jose de Dome e Divisão de Cultura. Em 1889 passa a sediar a Secretaria de Cultura.

Havia uma enorme necessidade da construção de uma ponte em Cabo Frio isto por que a única entrada a cidade de Cabo Frio era feita por navios.Com o desenvolvi-mento da indústria salineira, faz-se necessário a travessia permanente, e em 7 de Julho de 1898 graças ao empenho do presidente da Câmara Municipal Jonas Garcia da Rosa Terra e do farmacêutico Porto Rocha, inaugura-se a ponte de ferro, Miguel de Carva-lho, construída por operários espanhóis entre o Morro do Telégrafo e o Morro da Guia. Em 1920, a ponte desabou em 1926 no dia 14 de Julho é inaugurada a Ponte Feliciano Sodré.

Durante quase meio século a ponte serviu a comunidade. O grande desenvolvimento do turismo nos anos 60 e principalmente nos anos 70, aumentando o fluxo de veícu-los entre as duas margens do canal, ocorrendo colossais engarrafamentos nas imedia-ções da ponte. A ponte em 1982 é duplicada.

Pesquisa: Meri Damaceno