Porque estamos comemorando os 400 anos da Paróquia de N. S. da Assunção? 

Cabo Frio está na lista dez das cidades mais antigas do Brasil.

Em 1822, quando o Brasil se tornou independente de Portugal, havia 225 aglomerados urbanos, mas apenas 13 deles possuíam categoria de Cidade. No Estado do Rio, havia apenas duas, Rio de Janeiro e Cabo Frio.

No ato de fundação destas cidades, também se fundavam suas Paróquias, e logo se designava o lugar da construção da Igreja Matriz, pois a administração eclesiástica acompanhava a evolução administrativa da coroa portuguesa que era realizada sob dois pilares, ou seja, o Conselho administrativo e a Igreja.   

O Conselho era considerado, órgão máximo, pois acumulava funções dos poderes executivo, legislativo e judiciário. A Igreja cuidava da vida espiritual e material da população, ministrando os serviços religiosos para a salvação de suas almas, uma necessidade primordial para a mentalidade da época, como também

fazia o trabalho de assistência social, através das irmandades religiosas.

O centro histórico das cidades coloniais nos demonstra que o Estado e o poder Eclesiástico estavam intimamente ligados nas decisões políticas e sociais. A intervenção da igreja e de seus ministros na vida administrativa da colônia era considerável, tanto pelo respeito que eles gozavam, quanto pelos direitos reconhecidos de participarem nas decisões políticas da vida civil. 

Consideramos o centro histórico de Cabo Frio, a área entre a Praça Porto Rocha e o Largo de Santo Antonio e entre a Rua Jonas Garcia e a Rua Raul Veiga, e a Igreja Matriz como o centro de confluência da sociedade.

Em todos os documentos a Matriz de N.S. da Assunção, aparece como sendo a primeira construção de pedra e cal da cidade, um marco de referência inicial da cidade projetada em 1616, atendendo às normas de projetos, nas construções das cidades coloniais. 

A princípio funcionava como um orago que se tornou Paróquia Perpétua em 1666 pelo Padre Bento de Figueiredo e foi dedicada, em 1678, pelo Bispo Dom José de Alarcão. Ao longo do anos de 1700, a Paróquia N.S. da Assunção se expandiu criando 10 capelas para levar os sacramentos e evangelização a locais mais distantes e já havia cinco freguesias, ou seja, paróquias independentes com suas respectivas capelas.

“A Igreja Matriz viu nascer a cidade”.

A Igreja Matriz de N.S. da Assunção é o coração da cidade, testemunha da presença de Deus na comunidade, enfim, é o marco histórico de nossa identidade. 

Há quatro séculos ela tem sido a guardiã de nossa história, e nesse momento de resgate cultural, quando comemoramos os 400 anos de nossa cidade, ela se abre para nos contar a trajetória de nossos antepassados, a formação de uma comunidade Cristã que a manteve de pé, nos deixando este legado que poucas cidades têm o privilégio de ostentar como testemunha de sua história. Ela é a nossa própria história. 

Portanto, não haveria um título mais significativo que não fosse este: “Matriz Histórica de N. S. da Assunção de Cabo Frio”, título criado pelo Padre João Luiz para dar a ela maior destaque, quando foi construída a nova igreja. 

Na ocasião da dedicação da nova Matriz, o Bispo Auxiliar Dom Roberto Francisco Ferreira Paz fez a seguinte declaração: “ Um templo cristão, na silhueta de uma cidade viria a ser o coração da cidade, porque aí está Deus.” (...) “Um templo é sempre uma testemunha da presença de Deus na caminhada histórica de uma cidade.”

Rose Fernandes. Professora e pesquisadora da História do Antigo Cabo Frio.Autora do livro Cabo Frio: Polo Colonizador do Brasil. Disponível na Livraria da Igreja Matriz.