Bairro Portinho Cabo FrioO Portinho recebeu este nome devido a um pequeno porto que havia próximo a Casa Grande. Neste porto as barcaças de sal ancoravam carregadas com o sal que era pro-duzido por toda Lagoa de Araruama e especialmente no Bairro. 

Uma das famílias tradicionais do local foi à família do Coronel Ferreira, hoje home-nageado com o nome em uma das principais ruas do bairro. O Coronel era um grande líder político na cidade e proprietário das terras do Portinho ele foi também chefe da banda dos Jagunços rival da Banda dos Liras. Outra família tradicional foi a família Gago que até hoje reside no Bairro. Sr. Luiz Gago, popularmente conhecido por seu Lulu, foi um dos proprietários deste porto e das salinas.

A produção de cal em Cabo Frio também foi intensa e o porto local era abastecido com o produto que era transportado de navios para o Rio de Janeiro e para o sul do País. Em 1904 com o incremento da produção salineira e caeira foi necessário a aber-tura de canais para facilitar o escoamento do produto, na ocasião o engenheiro Leger

Palmer tinha a concessão para transportar o sal através da lagoa e inicia a abertura do canal Palmer I e II, as águas da lagoa de Araruama são canalizadas e dando inicio a organização de uma Companhia de Navegação à Vapor na Lagoa. Neste mesmo ano o vereador Anastácio Novellino propõe que estes canais passem a se chamar Canais Palmer. O canal II foi aberto em cima das salinas da família Gago, em 1907 na inau-guração dos canais, é erguido o monumento “Anjo Caído” que também foi conhecido durante longos anos pelos cabofrienses mais antigos como “Boneca”.  O Anjo Caído é composto de uma coluna de capitel em estilo coríntio, onde está erguida a figura de um anjo de asas abertas com 9 metros de altura que com o passar dos anos devido as correntes das marés e ao vento sudoeste foi aos poucos inclinando e passou a ser co-nhecido por “Anjo Caído”. Na segunda metade de 1950 a produção salineira entra em decadência e a partir dos anos 60, estas salinas foram privatizadas e virou o condomí-nio “Ilha do Anjo”, atualmente um dos lugares mais valorizados da cidade.

Antes da construção da ponte de ferro Miguel de Carvalho em 1898, era no Portinho que se fazia a travessia de um lado para o outro na barca de passagem, que ficou sem funcionamento até meados de 1920, quando retornou após a queda da ponte de ferro e saindo por definitivo do Canal do Itajuru em 1926 quando a ponte Feliciano Sodré foi inaugurada.

O cemitério do Portinho foi construído no início do século XIX, mas somente a partir da década de 1920 os enterramentos foram possível ali, isto se deu ao fato de uma briga quase centenária entre a Câmara municipal e os Franciscanos proprietários do morro e das terras do cemitério. Porem cabe registrar que em 1839 foi sepultado no cemitério de Santa Isabel o engenheiro do corpo imperial do Brasil, o Major Belle-gard, possivelmente por ele ter sido o fundador da Irmandade casa da caridade “Charitas” os religiosos permitiram o seu sepultamento no local. Em 1930 a prefeitura construiu em frente ao cemitério o Matadouro Público, local onde os bovinos eram mortos para venda nos açougues da cidade. Este matadouro trouxe alguns problemas, na época, para a população, porque deixava o bairro muito insalubre e sujo, por este motivo ele foi transferido para fora do centro de Cabo Frio sendo reconstruído no Guriri.

O Portinho tem como símbolo a secular Figueira que, segundo contam, nesta árvore os escravos eram enforcados e por isso vários casos de assombrações havia ali, prin-cipalmente quando a cidade não possuía eletricidade. Esta Figueira é tombada por Lei Municipal e faz parte dos Patrimônios Históricos do Município.

Com a construção, em 1965, do Clube do Canal e do Condomínio Ilha do Anjo, o bairro passou a ser um dos mais importantes turisticamente, pois as grandes elites cariocas, paulista e mineira construíram suas residências de veraneio no Portinho, em especial pela beleza do Canal e da tranqüilidade que o bairro oferecia. Até bem pouco tempo atrás os moradores não queriam que suas ruas fossem calçadas para que o Por-tinho não perdesse seu ar bucólico.

Texto e Pesquisa: Meri Damaceno